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César diz que “há um limite” ético para as funções do Estado na região

O presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César, deixou terça-feira um aviso ao Governo da República, ao afirmar que existe um "limite" ético para as funções do Estado na região.

Falando durante a assinatura de protocolos de cooperação entre o executivo açoriano e representantes da PSP e da GNR nos Açores, numa cerimónia realizada em Ponta Delgada, o governante deixou passar a ideia de que a Região não tem dinheiro para continuar a financiar os serviços do Estado nos Açores.

"Há um limite para os nossos recursos financeiros, como há também um limite para a ética subjacente às funções do Estado na região", advertiu Carlos César, acrescentando, no entanto, que os Açores vão continuar a "ajudar" enquanto puderem.

No seu entender, este princípio de financiamento entre o Estado e a região é algo "estranho", já que "não devia ser o Governo Regional a apoiar o Governo da República", mas antes "o Governo da República a apoiar o Governo Regional".

Carlos César deu como exemplo desta relação entre o executivo de Passos Coelho e o governo açoriano, as recentes polémicas com o financiamento da formação dos agentes da PSP nos Açores, das delegações da RTP e da Antena 1, as repartições de finanças, a extensão do cabo de fibra ótica, a Universidade dos Açores e as passagens aéreas entre os Açores e o Continente.

"Infelizmente, são muitas as necessidades que se acumulam e que não são satisfeitas e muitos os serviços da Administração Central que estão nos Açores sem os meios e sem os apoios mínimos necessários", afirmou o chefe do executivo regional.

Carlos César disse que o Governo açoriano tem "pouco dinheiro" para fazer o que lhe "compete", embora se sinta "obrigado" a desempenhar o papel que o Governo da República "devia desempenhar".

O presidente do Governo Regional destacou, por outro lado, o "orgulho" que a região sente pelo desempenho das forças de segurança (PSP e GNR) nos Açores, e pelo "clima de tranquilidade" que conseguem assegurar nas ilhas, apesar das suas limitações, em termos humanos e materiais.

O governante recordou que a PSP e a GNR nos Açores vão passar a usufruir do produto de coimas aplicadas na região, na sequência de um diploma aprovada na Assembleia Legislativa dos Açores, que vai disponibilizar cerca de "meio milhão euros" para investimentos no arquipélago.

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